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Rotulagem de alimentos entra em discussão na Anvisa

Em dezembro do ano passado, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou as iniciativas regulatórias para atualização da rotulagem de alergênicos – substâncias naturais que provocam reações alérgicas – e para a revisão das regras para rotulagem nutricional de alimentos. Com essa iniciativa, a expectativa é melhorar pontos da norma publicada há dois anos.

Uma das modificações reivindicadas na pauta em questão é que alimentos que possuem apenas um ingrediente não precisarão fazer a advertência no rótulo, uma vez que o alimento já traz essa definição. Um exemplo é a caixa de ovos, que não precisaria declarar que “contém ovos”. Já a segunda iniciativa, que se refere à revisão da rotulagem nutricional de alimentos, tenta trazer mais clareza para que as pessoas façam escolhas mais saudáveis na hora de ir às compras, pois a forma como os nutrientes são apresentados atualmente é considerada pouco útil. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em 2013 mostrou que, apesar de o consumidor reconhecer a importância das informações do rótulo para fazer escolhas mais saudáveis, ver e entender o conteúdo da tabela nutricional ainda é um problema para uma parcela significativa dos entrevistados.

Além do risco à saúde, as alergias alimentares impactam diretamente na qualidade de vida de uma pessoa. De acordo com a Anvisa, mais de 170 alimentos já foram descritos como causadores de alergias alimentares e, atualmente, a principal preocupação é a anafilaxia, que pode levar o indivíduo a óbito se não houver o atendimento e tratamento adequado forma rápida. Estimativas internacionais indicam que entre 30 a 50% dos casos de anafilaxia são causados por alimentos.

Na luta por avanços e adequações de embalagens, o movimento criado por mães de crianças alérgicas intitulado “Põe no Rótulo” foi um dos grandes responsáveis por mudanças na rotulagem de alimentos do país, dando mais clareza a componentes alergênicos. Em junho de 2016, entrou em vigor a resolução da Anvisa que tornou obrigatória a informação sobre a existência de 17 alergênicos.

Agora, resta aguardar o próximo passo da Anvisa com a apresentação de uma proposta de consulta pública para cada um dos temas.

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